Finalmente voltei aqui para contar como foi a nossa mudança e a viagem ao Canadá no meio de uma das ondas da pandemia da Covid-19. Nesta primeira parte, conto sobre os vistos aprovados, compra de passagens aéreas, aluguel de apartamento ainda do Brasil, arrumação das coisas e também sobre a morte do meu pai durante tudo isso. Agora estou no break do college e tive esse tempinho.
Quem me acompanha no Instagram sabe que chegamos no Canadá no dia 15 de janeiro e que minhas aulas começaram no dia 18 de janeiro, e acompanhou um pouco do meu dia a dia até então. Portanto, acompanhe por lá também se tiver curiosidade sobre a nossa vida aqui e minhas dicas! 🙂
A timeline aqui no blog também detalha sobre as datas e os principais pontos do nosso plano até a nossa chegada no Canadá.
Vistos aprovados, passagens aéreas compradas e apartamento alugado
Em 29 de outubro recebi o pedido de passaporte para colarem o meu visto de estudos, o que fiz no dia seguinte e já super feliz! Foram 9 meses de espera após a aplicação, em fevereiro de 2020. Demorou 18 dias e, no dia 17 de novembro, apareceu no sistema que meu visto estava aprovado e finalizado. No entanto, meu marido ainda estava aguardando o dele. No dia 19 do mesmo mês, pediram o passaporte dele e no dia 3 de dezembro, foi oficialmente aprovado o visto de trabalho dele.

Nesse meio tempo, algo chato estava acontecendo na minha vida: meu pai começou a internar várias vezes com problemas renais, recém-adquiridos. Nisso, o medo de ele, minha mãe e todos nós pegarmos a Covid-19, pois tínhamos que ficar com ele no hospital que não separava bem os pacientes com a doença. Enquanto isso, seguíamos os planos de viagem, pois eu sabia que o Canadá poderia restringir novamente a ida de vôos do Brasil, pois a nova variante estava começando a fazer os números da pandemia no nosso país subirem ainda mais.
Voltando ao plano, compramos as passagens no dia 20 de novembro, pois teríamos que transportar o nosso cachorro de porte médio junto, despachado como bagagem (carga viva). Para vôos diretos em janeiro da Air Canada, pelo menos neste ano, havia somente uma vaga para cachorro despachado. Segundo a atendente da Air Canada, para viajar com cachorro no inverno, é possível somente até o meio de dezembro e a partir do meio de janeiro, então tínhamos que ser rápidos. Em outro post conto como é esse trâmite com cachorro.
Passagens compradas para o dia 15 de janeiro de 2021, começamos a organizar nossas coisas no Brasil e a embalar o que queríamos levar, pois faltava um mês e meio para a viagem. Como vendemos muita coisa ainda em 2019, quando nos mudamos para um apartamento já semi-mobiliado em São Paulo, tínhamos poucos móveis e o que tínhamos, as nossas famílias iriam pegar para elas.
No meio de 2020, já isolados pela pandemia e trabalhando remoto, fomos passar o resto do isolamento no interior de São Paulo, de onde nossas famílias são (e onde crescemos). O que foi ótimo, pois passamos os últimos meses com eles – e com meu pai, que só estava piorando nas nossas últimas semanas no país.
Logo após comprar as passagens, acionamos a Van Sweet Home para nos ajudar a tentar conseguir um apartamento para entrarmos direto assim que chegássemos em Toronto. Já havia os contratado no início de 2020, pensando que logo receberíamos a aprovação, naquela época, para eu iniciar os estudos em setembro de 2020.
Fiquei buscando imóveis por dias, junto com a Monique da VSH, e após muita busca e recusas, conseguimos fechar o contrato com um! Em North York, na região de Bayview Village. Ainda é considerado Toronto, apesar de todos se referirem à região como North York. Em outro post eu posso contar mais sobre essa busca, os valores (que baixaram devido à pandemia) e sobre a região.
Um drama pessoal pesado em meio à mudança e à pandemia
Em meio à essa correria, reunimos com as famílias com os devidos cuidados, fiquei com meu pai no hospital uma vez, o visitei em casa em outras… e assim foi. Até que em 15 de dezembro recebo a ligação do meu irmão contando que meu pai estava passando mal em casa e estava perdendo os sinais vitais. Cheguei na casa deles com ele já em parada cardíaca e os paramédicos tentando reanimá-lo, sem sucesso. Realmente meu pai havia falecido, faltando exatamente um mês para a viagem.
Resumindo, tive que cuidar do meu emocional, do da minha mãe (que já não aceitava muito bem a nossa mudança), do velório e da cremação do meu pai.
Enfim, a mudança para mim foi pesada porque perdi meu pai enquanto arrumava as malas e acertava tudo. A gente não tinha a melhor das relações, mas sempre nos reaproximávamos. Quando a pandemia começou, a gente brigou e ficamos uns meses sem nos falarmos. Depois, quando fui ao interior passar esse tempo lá, voltamos a nos comunicar e nos aproximamos, apesar das diferenças de pensamento. Estávamos nos vendo todos os finais de semana, ao invés de uma vez ao mês ou a cada dois meses, como era antes da pandemia, quando eu morava em São Paulo. Nesse sentido, foi bom esse tempo lá antes de vir ao Canadá.
Eu nem sei como consegui prosseguir após a morte dele com toda a mudança. Acho que o racional acabou dominando e o emocional se calou por um tempo até tudo acalmar. O sonho é de tantos anos que, quando deu certo finalmente, eu só queria vir ao Canadá, apesar de tudo. Minha mãe, ainda bem, aceitou e me apoiou mesmo após a morte do meu pai.
Agora não consigo deixar de pensar que o nosso plano não saía do papel (ou das planilhas) porque eu precisava desse tempo no Brasil pra ficar perto do meu pai e reconciliar melhor, antes de isso acontecer. Eu não sou espiritual ou religiosa, mas às vezes a vida nos mostra que as coisas acontecem no tempo que tem de ser, mesmo.
A parte da adaptação à tudo e o luto, eu quero abordar em outro post sobre o college e essa fase dos primeiros meses. É para o próximo capítulo dessa novela da vida real.
—
Como o post já ficou bem longo, vou deixar a próxima parte para contar sobre a viagem em si, um perrengue que passamos após chegar, e sobre a quarentena e como foi essa fase. Continue acompanhando! 🙂
6 comentários
Olá Viviam,
Tenho acompanhado a sua saga neste blog.
Parabéns pela sua (s) dedicação em realizar um sonho. Realizar sonhos faz parte do que se denominam FELICIDADE.
Há muito tempo tive a intensão de ir para o CA; desde 1986, mas tornou-se inviável e; hoje com a idade ainda mais.
Aguardo a publicação de um livro seu sobre essa “aventura” de sucesso.
Saudações
Obrigada por acompanhar, pelo carinho e torcida, Marco! E caramba, você teve esse sonho desde o ano em que nasci! Muito tempo mesmo. Se ainda tiver esse sonho, não pense que é impossível. É desafiador e requer muita luta e mesmo dinheiro, mas é possível. De qualquer forma, desejo que esteja feliz onde estiver também.
Abraço!
Olá Vi
Acompanhamos desde o inicio a sua saga neste blog.
Parabéns pela sua (s) dedicação em realizar um sonho. Estamos te seguindo no Insta tb.
Lamentamos o falecimento do seu Pai.
Em Setembro, estaremos em New Brunswick para iniciar o college.
Abs
Oi Ulisses, obrigada por acompanhar e sempre participar. Fico torcendo para tudo dar certo a vocês também!
Abraço!
Oi, Vi!
Estava aqui buscando alternativas e tentando acalmar o coração com os meus planos de ir para o Canadá, quando achei seu blog.
Saiba que, ler o seu relato, me deixou mais tranquila com a minha saga, que começou em 2017. Com acontecimentos e algumas mudanças no meio do caminho, eu e meu esposo estamos buscando uma forma de ir.
Sinto muito pelo seu pai. Vc falando que é como se a vida estivesse te segurando para ir na hora certa me fez pensar sobre os planos que a vida está reservando para mim. Vamos ver no que dá.
Estamos nos organizando (mais uma vez) para irmos para o Canadá em Janeiro/22. Acredito que iremos para Montreal, mas ainda não temos nada definitivo.
Obrigada pela postagem.
Abraços
Olá ! Encontrei por acaso o blog, achei muito interessante os assuntos. Eu recebo muitos contatos de brasileiros que estão morando no Canadá. Casais quando e buscam por terapia on-line e também pessoas que querem receber apoio psicológico para enfrentar a adaptação em outro país. São muitas as dificuldades no início… A barreira da língua, cultura, sentimentos de solidão, etc.
Sou psicóloga há mais de 20 anos e já atendo online pessoas de outros países desde antes da pandemia. Agora as pessoas procuram mais e estão mais receptivas a terapia on-line.
Caso tenha interesse em artigos meus originais para ajudar pessoas que acompanham o trabalho do blog, fico a disposição!
Parabéns pelo trabalho!
Abs